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Comentarista: Thiago Brazil

Oi, leitor pra você que chegou neste Post, o título acima corresponde a 8º lição da CPAD para a classe de Jovens do 4º trimestre de 2016, aliás se não leu a 7º lição clique aqui.

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Não espere o estado fazer, faça!

Miquéias e sua denúncia profética

Nas duas últimas campanhas políticas de maior repercussão no Brasil, os dois vencedores se colocaram como pessoas de fora do mundo político, em suma eram ‘outsiders’, os fora de série, ambos conseguiram vencer os pleitos em disputa, contrariando o senso comum da maior parte dos analistas políticos e formadores de opinião, se você esta ‘ligado’ no que acontece na política deve saber que estou falando de João Dória e Donald Trump, ambos conseguiram captar a sensação de decepção da ‘chamada maioria silenciosa’ e transformar isso em voto, ok. Mais o que isso tem a ver com o título acima? A bíblia relata a história de alguns ‘outsiders’, entre eles, o profeta Miquéias, que de forma ousada profetizou contra Jerusalém e Samaria, especificamente os israelitas que diziam adorar a Deus, entretanto, não amavam o seu próximo.

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A sociedade da época de miquéias, não era diferente da sociedade francesa do século 18

O problema era que as autoridades e ricos viviam em uma bolha religiosa e ‘castificada’, para que você entenda o que isso significa, relembre os três estados ou as classe pré-revolução francesa, onde a sociedade francesa era dividida em clero, nobreza e plebeus, nesta época quase não havia mobilidade social, as pessoas morriam e viviam na classe em que haviam nascido; voltando a bíblia, não era diferente nós tempos do profeta Miquéias, desde que a monarquia havia sido implantada em Israel por Saul, ocorreu o surgimento de uma nobreza ligada aos estados de Judá e de Israel, estas pessoas se tornaram ricas através da simbiose com a monarquia, seja no tráfico de influência ou através dos impostos cobrados da população produtora, contudo, não bastava apenas aos nobres da época viver da espoliação alheia era necessário apresentar esta riqueza como dádiva de Deus, nada melhor do que ir para templo oferecer rios de azeite e uma infinidade de animais em sacrifício, é justamente contra isso que o profeta Miquéias se levanta, ele observa que estas pessoas viviam de aparência, diziam amar a Deus sobre todas as coisas, mas não podiam ajudar seu vizinho que estava em dificuldade, mesmo que este fosse a imagem e semelhança de Deus.

O fato é que a nobreza de Israel criou uma falsa dicotomia onde a vida espiritual era separada da vida social e financeira, em resumo, eles podiam oprimir e roubar o suor de seus conterrâneos desde que oferecessem sacrifícios diários no templo, para piorar a situação, os sacerdotes e escribas ao invés de repudiarem este tipo de comportamento, passaram a fazer vista grossa ou mesmo dar suporte espiritual/intelectual para a opressão, tudo porque os nobres eram quem dava as maiores quantias de dízimos e ofertas para o sustento da classe sacerdotal e do templo.

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Essência da adoração segundo Miquéias

Já ouviu aquele ditado “me digas com quem tu andas e direi quem tu és”? Sabia que você é uma síntese das 5 pessoas mais próximas a você? Se você anda com gente vencedora, provavelmente se tornará um vencedor, por outro lado, se andas com fracassados, se tornará um deles. Este conceito também se aplica no mundo espiritual, se você vive perto de pessoas que tem comunhão com Deus, buscará viver igual a estas pessoas, o mesmo vale na situação contrária, resumindo: não tem como você dizer que é cristão autêntico e oferecer adoração a Deus, se não se importa com as pessoas ao seu redor, principalmente as que compõem sua família, até porque parte da adoração e do cristianismo, consiste em viver e servir as pessoas ao nosso redor.

Foi este detalhe que Miquéias apontou em suas profecias, se de fato queremos adorar a Deus, comecemos fazendo o que o bom samaritano fez, socorramos aqueles que estão próximos a nós e depois aos que estão longe, com isso nossa adoração não será apenas da boca pra fora, ela terá uma montanha de conteúdo. Mas o que Deus fez com este povo que o adorava superficialmente?  Primeiro não aceito aquela adoração, assim como não aceito adoração de Caim, segundo, enviou profetas como Miquéias para exorta-lós a voltar à prática da justiça, segundo os padrões divinos, terceiro, após inúmeras mensagens de aviso, permitiu que assírios e babilônios levassem Israel e Judá cativos. Mas porque Deus castigou seu povo? Deus é justo, sua justiça é intrínseca ao seu caráter, logo se vamos adorá-lo é necessário que levemos em conta sua lei e sua vontade, do contrário, faremos o mesmo que Israel fez: uma adoração vazia e sem aprovação divina.

E por falar em justiça… Deus é a fonte de toda a justiça, aliás, foi ele quem definiu o que é justo e injusto através dos 10 mandamentos: assista e entenda o porquê.

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O 1º clube social que deu certo

De fato somos adoradores?

Quando lemos Atos dos Apóstolos, percebemos que em menos de 40 anos o cristianismo atingiu todo o império romano apesar das perseguições e dificuldades de mobilidade da época, não havia automóveis, aviões e nem e-mail, contudo, 37 anos depois da morte de cristo (33 d.c -5), os cristãos já eram tratados como ameaça a ordem do culto ao imperador, sendo por isso perseguidos e martirizados; A resposta para êxito tão grande em pouco tempo estava na forma em que apresentavam a Jesus cristo, não era apenas salvação espiritual e vida eterna após a morte, antes a igreja primitiva promovia uma verdadeira reforma social, ao instituir o amparo as viúvas e órfãos e cuidar dos necessitados provendo comida e teto, além disso, a comunidade cristã era um clube social para os ‘separados’ do mundo, eles não viviam  solitários, tinham uns aos outros para se ajudarem, o interessante de tudo, é que os cristãos não tinham ajuda  do estado para promover bem estar social, ao contrário, toda a despesa era paga com recursos doados espontaneamente pelos próprios cristãos e simpatizantes, ao invés de promoverem a mendicância ou parasitismo nas tetas estatais, promoviam o trabalho e o empreendedorismo como meio de subsistência e fonte de riqueza, exemplos disso, o apóstolo São Paulo, fabricante de tendas e os apóstolos pescadores, como são Pedro e são João.

Quando refletimos sobre este fato percebemos que o mundo não mudou, Jesus continua o mesmo, entretanto, nós cristãos mudamos o evangelho de cristo para uma vida religiosa superficial, ao invés de tentarmos ajudar as pessoas necessitadas, conforme a igreja primitiva fazia,temos deixado esta tarefa para o estado e seus asseclas, ao invés de buscarmos servir a cristo através de obras de caridade, temos transformado adoradores em consumidores de religião. Algo está errado no meio daqueles que se dizem cristãos.

Conclusão

Jesus ensinou um dos mais importantes fundamentos para a construção de riqueza, entretanto, este mesmo ensinamento tinha como prioridade o mundo espiritual, infelizmente, nós cristãos não temos atentados para isto. Se de fato quisermos voltar a essência da adoração, teremos que cumprir o mandamento de Jesus Cristo: ame a Deus sobre todas as coisas e a seu próximo como a ti mesmo.

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